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"Mergulhe no meio das coisas, suje as mãos, caia de joelhos e só então procure alcançar as estrelas."

John L. Curcio


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"Tudo está ligado, como o sangue que une uma família.
Todas as coisas estão ligadas.
O que acontece à Terra recai sobre os filhos da Terra.
Não foi o homem que teceu a trama da vida.
Ele é só um fio dentro dela.
Tudo o que ele fizer à teia estará fazendo a si mesmo."

Chefe Seattle (1856)



 

"ave da esperança"

Passo a noite a sonhar o amanhecer.
Sou a ave da esperança.
Pássaro triste que na luz do sol
Aquece as alegrias do futuro,
O tempo que há-de vir sem este muro
De silêncio e negrura
A cercá-lo de medo e de espessura
Maciça e tumular;
O tempo que há-de vir - esse desejo
Com asas, primavera e liberdade;
Tempo que ninguém há-de
Corromper
Com palavras de amor, que são a morte
Antes de se morrer.

Miguel Torga



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“Ensinarás a voar…
mas não voarás
o teu voo.
Ensinarás a sonhar…
mas não sonharão
o teu sonho.
Ensinarás a viver…
mas não viverão
a tua vida.
Ensinarás a cantar…
mas não cantarão
a tua canção.
Ensinarás a pensar
mas não pensarão
como tu.
Porém,saberás que cada
vez que voem,
sonhem,vivam, cantem
e pensem…
estará a semente
do caminho
ensinado e aprendido.”

Madre Teresa de Calcutá



Só peço a Deus
Leon Gieco

Só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a seca morte não me encontre
Vazio e só sem haver feito o suficiente.

Só peço a Deus
Que o injusto não me seja indiferente
Que não me esbofeteiem a outra face
Depois que uma garra me arranhou esta sorte.

Só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda a pobre inocência das pessoas.

Só peço a Deus
Que o engano não me seja indiferente
Se um traidor pode mais que uns tantos
Esses tantos não esqueçam facilmente.

Só peço a Deus
Que o futuro não seja indiferente
Desesperançoso estão que tem que marchar
A viver uma cultura diferente.

Só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda a pobre inocência das pessoas.



 


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"Quadras" 

 Fernando Pessoa

Vai alta a nuvem que passa.
Vai alto o meu pensamento
Que é escravo da tua graça
Como a nuvem o é do vento.

*

As gaivotas, tantas, tantas,
Voam no rio que é o mar…
Também sem querer encantas,
Nem é preciso voar.

*

Todos os dias que passam
Sem passares por aqui
São dias em que só passa
O estar a esperar-te a ti.

*

Tenho um livrinho onde escrevo
O que me lembro de ti.
Esse livro é o meu enlevo
Ainda lá nada escrevi.

*

Leve vem a onda breve
Que se estende a adormecer,
Breve vem a onda leve
Que nos ensina a esquecer.

*

Tenho um segredo a dizer-te
Que não te posso dizer.
E com isto já t’o disse
Estavas farta de o saber…

*

Compreender um ao outro
É um jogo complicado,
Pois não sabe quem engana
Se não estará enganado.

*

Quando compões o cabelo
Com a tua mão distraída,
Fazes-me um novelo
No pensamento da vida.

*

Teus olhos de quem fita –
Vagueiam, ‘stão na distância.
Se não fosses tão bonita
Isso não tinha importância.

*

Toda a noite, toda a noite,
Toda a noite sem pensar…
Toda a noite sem dormir
E sem tudo isso acabar…

*

Tenho uma pena que escreve
Aquilo que eu sempre sinta.
Se é mentira, escreve leve.
Se é verdade, não tem tinta.

*

Teus olhos poisam no chão
Para não me olhar de frente.
Tens vontade de sorrir
Ou de rir? É tão diferente.

***

Oração ao Poderoso Santo Expedito

Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes interceda por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo, socorra-me nesta hora de aflição e desespero, meu Santo Expedito Vós que sois um Santo guerreiro, Vós que sois o Santo dos aflitos, Vós que sois o Santo dos desesperados, Vós que sois o Santo das causas urgentes, proteja-me. Ajuda-me, Dai-me força, coragem e serenidade. Atenda meu pedido (Fazer o pedido). Meu Santo Expedito! Ajuda-me a superar estas horas difíceis, proteja de todos que possam me prejudicar, proteja minha família, atenda ao meu pedido com urgência. Devolva-me a paz e a tranqüilidade. Meu Santo Expedito! Serei grato pelo resto de minha vida e levarei seu nome a todos que têm fé.

Muito obrigado.

(Rezar 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria e fazer o sinal da cruz)



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águas de março


tanto faz se chuva fina
temporal ou mar
de lágrimas

Márcia Maia


desdisse o amor tudo aquilo que eu dissera


desdisse o amor tudo aquilo que eu dissera
quando escrevi que era tudo e mais além.
como pudeste escrever tanta tolice?
e riu-se o amor (que de escárnio sabe rir
o amor também). nada disse. fiz-me espera.
e vi o amor se gabar do que não tem
(que vaidade urde só parlapatice)
num vai e vem que não cansa de ir e vir.
e chega aonde essa eterna romaria?
o que farás dessa imensa zombaria?
dize-me amor tu que agora ris assim.
calou-se o amor. nada dizer poderia.
e em meu olhar leu aquilo que temia:
foste tão tolo ao partir amor de mim.

Márcia Maia


Direi do amor o tudo e o mais além
que amor só sei sentir se mergulhando
inteira nos seus mares, me entregando
o amor do ato de amar não se abstém.

Eu sei do amor no quando e no também
se perco o prumo ou se me abandonando
no amor eu ardo em fogo ou se é brando
afago o que me invade e entretém.

O amor é tudo quando é desse jeito:
sem causa, sem razão, sem outro feito
além de ser eterno vai e vem

Te amo quando longe estou ou perto
(que tantas sou e não me sei ao certo)
pois tudo em ti resumes: e és além.

Márcia Maia

 

uma canção na manhã


há uma canção nessa manhã azul
de antigamente
(a canção, não a manhã)
e eu oscilo,
hesito entre manter-me inteira
no presente
ou escorregar leve, impercebida e
sorrateiramente
ao quarto fechado
onde dormitam em segurança, todos os
sentires inacabados.

há uma manhã nessa canção
de antigamente
(a manhã, não a canção)
e já nem sei o que é passado,
o que é presente,
mas vem em meu auxílio,
o telefone
e embora aveludada e rouca
não é tua,
a voz que me procura.

há uma canção nessa manhã
- nem tão azul -
(tampouco de antigamente)
apenas uma canção

: e nada mais.

Márcia Maia

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visitem....Tábua de Marés....Marcia Maia....tudo de lindo...

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meus blogs...lindo final de semana para voces..bjus...




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CHANSON D'AUTOMNE

Paul Verlaine

Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure.

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.


CANÇÃO DO OUTONO

          Tradução: Alphonsus de Guimaraens

Os soluços graves
Dos violinos suaves
Do outono
Ferem a minh'alma
Num langor de calma
E sono.

Sufocado, em ânsia,
Ai! quando à distância
Soa a hora,
Meu peito magoado
Relembra o passado
E chora.

Daqui, dali, pelo
Vento em atropelo
Seguido,
Vou de porta em porta,
Como a folha morta
Batido...

 

 Poema VI


   Pablo Neruda

Te recordo como eras no último outono.
Eras a boina cinza e o coração em calma.
Em teus olhos pelejavam as chamas do crepúsculo.
E as folhas caiam na água de tua alma.

Apegada a meus braços como uma trepadeira,
as folhas recolhiam tua voz lenta e em calma.
Figueira de estupor em que minha sede ardia.
Doce jacinto azul torcido sobre minha alma.

Sinto viajar teus olhos e é distante o outono:
boina cinza, voz de pássaro e coração de casa
fazia onde emigravam meus profundos anseios
e caiam meus beijos alegres como brasas.

Céu desde um navio. Campo desde os cerros.
Tua recordação é de luz, de fumaça, de tanque em calma!
Mais além de teus olhos ardiam os crepúsculos.
Folhas secas de outono giravam em tua alma.

(Retirado de: Vinte poemas de amor e uma canção desesperada)
Tradução Maria Teresa Almeida Pina

 

Outono

J. G. de Araújo Jorge

O outono já chegou - aos arrufos do vento
as folhas num desmaio embalam-se pelo ar...- vão caindo... caindo... uma a uma, em desalento
e uma a uma, lentamente, vão no chão pousar...
O céu perdeu o azul - vestiu-se de cinzento 
e envolveu na neblina a luz baça do luar...
- na alameda onde vou, de momento a momento,
há um gemido de folha a cair e a expirar...

O arvoredo transpira as carícias dos ninhos,
e o vento a cirandar na curva das estradas
eleva o folhareu no espaço em redemoinhos...

Há um córrego a levar as folhas secas em bando...
- e à aragem que soluça entre as ramas curvadas,
parece que o arvoredo em coro está chorando!...

 

minhas casinhas.....

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"Coisas de £a£i"




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e de súbito desaba o silêncio.
é um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.

só nas minhas mãos
ouço a música das tuas.

Eugénio de Andrade

prece
 
dá-me
a lucidez das correntezas para que eu descubra entre as tristezas que se avolumam algum sorriso mesmo que não seja para mim

dá-me
a serenidade de uma estrela para que eu imagine entre as lágrimas que não me deixam qualquer paz ainda que seja breve

dá-me
a claridade das luas cheias para que eu invente entre as angústias que se esparramam um horizonte mesmo que se transmude em ilusão

dá-me
a esperança das árvores para que eu teça entre as ausências que se imensificam uma sanidade ainda que estofada de delírios.

Adair Carvalhais Jr.

 

A concha

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.

A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

Vitorino Nemésio

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...“ Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram ..." ( Carlos Drummond de Andrade )...

O vôo

... Esgota, como um pássaro,
As canções que tens na garganta.
Canta. Canta para conservar a ilusão
De festa e de vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
Que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste
Não és mais que um vôo no tempo.
Rumo ao céu?
Que importa a rota?
Voa e canta
Enquanto resistirem tuas asas. 

Menotti del Pichia

chuva 


Chove uma grossa chuva inesperada
que a tarde não pediu mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
duma vida que é chuva e não parece.
Chove, grossa e constante,
uma paz que há-de ser.
Uma gota invisível e distante
na janela, a escorrer.

Miguel Torga


Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

E por vezes


E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira 

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Mulher
(em definição)

 
Manuela Amaral

Mulher-Poesia
que deixa no meu corpo bocados de poema

Mulher-Criança
que desce à minha infância
e me traz adulta

Mulher-Inteira
repartida no meu ser

Mulher-Absoluta
Fonte da minha origem

 


Ser mulher

Gilka Machado

Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...


Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor...


Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...


Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!

 

Mulher. Feminino singular

 

Hoje, quero dizer de ser mulher. Mulher, feminino singular.
Não filha de pai e mãe, menina preservada, protegida.
Não mulher de alguém, esposa amada, respeitada, com lugar certo na sociedade certa.
Não mãe de filhos(as), desvelada, dedicada, desfeita em preocupação e orgulho.

Mulher por si. Mulher em género e corpo.
Mulher que se (re)conhece ao olhar outra mulher.
Que aprende cedo a conviver com a dor física.
Que quando o desaprende, convive com outras dores.
Que tira da vida o que quer, sabendo muros que se levantam e que contorna ou derruba.
Que luta com outros seres humanos (de qualquer género) pelas suas convicções.
Que sabe da solidão. Da tristeza. Da procura do consolo.
Que pelas mãos e pela palavra conforta quem dela se abeira.
Que aprende o seu corpo como seu. Não de outrem.
Que sabe do desejo. Que o aceita.
Que sabe do prazer. Que o procura.
Que sabe do amor. Que o dá, sem limites, eterno e renovado em cada dádiva.

[Este texto é para todas as mulheres, femininas, singulares.]

palavras da querida amiga Lique...

http://mulher50a60.weblog.com.pt/

Feliz Dia..a todas..e desejo tudo de lindo e maravilhoso..

antecipado assim....porque estou quase sem net..rsrrs...e quero deixar aqui uma homenagem a vcs...muitos beijos..carinhos..paz...amor..muito isso..isso bastante.. mais aquilo...rsrrs..até queridas..e beijos aos queridos tb..quem sabe um dia vai ter Dia dos Homens..não é Hank?...rsrrs..

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